Cybersecurity & SOC

Implementando SIEM Corporativo com Wazuh, Suricata IDS e OpenSearch

Como construir uma esteira unificada de detecção, inspeção profunda de pacotes (DPI) e correlação em tempo real para conformidade ISO 27001, PCI-DSS e mapeamento MITRE ATT&CK.

Carlos Felipe
Carlos Felipe Oliveira da Silva Senior Infrastructure & DevOps Engineer
Objetivo Arquitetural: Eliminar pontos cegos de visibilidade na infraestrutura corporativa, integrando telemetria de endpoints Windows/Linux com análise de tráfego de rede em alta velocidade, reduzindo o Tempo Médio de Detecção (MTTD) para menos de 60 segundos.

1. O Desafio da Detecção em Ambientes Heterogêneos

Em infraestruturas corporativas modernas com múltiplos servidores de banco de dados, clusters de contêineres e controladores de domínio, as soluções antivírus tradicionais de endpoint falham em detectar ataques sofisticados baseados em movimentos laterais, abuso de privilégios e exploração de vulnerabilidades de rede.

A necessidade de atender a auditorias rigorosas de ISO 27001 e PCI-DSS exigiu uma arquitetura centralizada com armazenamento imutável de logs, correlação de eventos com a matriz MITRE ATT&CK e alertas automatizados de alta fidelidade para o time de SOC.

2. Topologia de Defesa em Camadas

A arquitetura de segurança foi dividida em três componentes fundamentais:

Wazuh Manager & Agents

Agentes leves coletando eventos de sistema, auditoria de integridade de arquivos (FIM), conformidade com CIS Benchmarks e logs do Active Directory.

Suricata DPI Engine

Inspeção profunda de pacotes (Deep Packet Inspection) operando em portas espelho (SPAN) da rede para identificar scanners de vulnerabilidade, tráfego C2 e payloads maliciosos.

OpenSearch Indexing

Cluster de indexação distribuída de alta vazão, retenção com particionamento temporal e dashboards analíticos em tempo real.

3. Decoders e Regras Customizadas no Wazuh

Para consolidar logs de múltiplas fontes como firewalls corporativos e consoles de segurança centralizadas (como o Kaspersky Cloud Console), criamos decoders XML dedicados que extraem campos essenciais (IP de origem, usuário, severidade e vetor de ataque):

<!-- /var/ossec/etc/rules/custom_suricata_rules.xml -->
<group name="soc,network_attack,suricata,">
  <rule id="100250" level="12">
    <if_sid>87000</if_sid>
    <match>SURICATA ALERT: Exploit Attempt</match>
    <description>Suricata: Tentativa de exploit e evasão detectada na rede interna</description>
    <mitre>
      <id>T1190</id>
      <id>T1046</id>
    </mitre>
  </rule>

  <rule id="100251" level="10">
    <if_sid>100250</if_sid>
    <same_source_ip />
    <frequency>3</frequency>
    <timeframe>60</timeframe>
    <description>Suricata: Múltiplos ataques originados do mesmo host (Ação de Mitigação)</description>
  </rule>
</group>

4. Correlação de Eventos e Enriquecimento de Ameaças

Um dos diferenciais da esteira foi conectar o Wazuh Active Response a scripts em Python. Quando um host exibe comportamento anômalo com severidade superior a 10:

  • O IP de origem tem sua reputação consultada instantaneamente em bases de Threat Intelligence.
  • Regras temporárias de isolamento são injetadas no firewall de borda ou no iptables local via SSH/API.
  • Um webhook estruturado com os dados forenses é disparado para o canal do Microsoft Teams do time de operações.

Resultados Práticos e Impacto Operacional

A consolidação da esteira resultou na redução de 80% nos alertas de falso-positivo, conformidade técnica comprovada em auditorias da ISO 27001 e PCI-DSS, e tempo de investigação de incidentes reduzido de horas para minutos.